“Contratem os hackers urgentemente”, diz o jornalista Misha Glenny

Em entrevista para a Revista Guernica, o escritor e jornalista Misha Glenny, especialista em investigação de redes de crime organizado, defende que os hackers deveriam ser estimulados por suas habilidades e fala sobre o impacto do cibercrime sobre as liberdades civis.

Hackers éticos

O livro DarkMarket (escrito por Glenny), que fala sobre a ascensão e queda do maior fórum criminoso de hacking, é um dos poucos livros com foco na figura central do crime cibernético: o hacker.

Segundo Glenny, o termo “hacker” vinte anos atrás era um conceito neutro, positivo, que remetia a alguém com conhecimentos de informática avançada. Mas, nas últimas duas décadas, uma combinação de mídia e aplicação da lei mudou a percepção do conceito, que hoje leva quase sempre um sentido pejorativo. “Claro que existem hackers éticos”, defende. “O ponto é que essas pessoas entendem o mundo digital de modo que a maioria de nós não pode, e eles devem ser vistos como ativos potenciais para a sociedade tanto quanto são vistos como ameaças”.

Para o jornalista, o ideal seria identificar potenciais hackers, em idade jovem, nutrir as suas habilidades e fornecer orientação ética. “Só o que eles querem é mostrar a alguém que têm essas habilidades e que elas têm valor. Criminalizá-los só faz a sociedade perder as suas competências”.

“Contratem os hackers urgentemente”,
aconselha o jornalista Misha Glenny.

Segundo Glenny, os governos e organizações deveriam ficar mais próximos dos hackers por três motivos:

  • Ninguém conhece melhor o mundo cibernético
  • Muitos hackers preferem implantar suas habilidades em um ambiente legítimo
  • Caso contrário, será necessário muito mais trabalho para entender seu comportamento e lutar contra o cibercrime

Internet bloqueada

“A internet é um novo ambiente para o velho dilema ‘segurança versus liberdade’. A coisa mais genial é sua interconectividade, mas isso também é o que a transforma num problema extremamente difícil quando as pessoas resolvem explorá-la para propósitos egoístas”, diz Misha. “Estamos vendo um esforço das organizações ocidentais para bloquear a internet com o apoio do estado, por outro lado, estamos vendo uma ação da sociedade civil, que vê isso como um ataque a seus direitos civis direitos – neste lado se incluem grupos como o Anonymous”.

Glenny afirma que o anonimato é uma grande questão no cibercrime. “Em resposta a isso, há um movimento para tentar remodelar a internet para que o anonimato seja impossível. Então, a internet será utilizada simplesmente como um método de controle? Isso naturalmente leva a temores com relação aos direitos civis”.

“A legislação está se tornando cada vez mais draconiana. Por outro lado, impor a lei de direitos autorais tem se mostrado muito difícil. Então, eu sou ambivalente com a questão da Megaupload, porque eu não posso continuar a oferecer meu trabalho se todos os direitos autorais são sempre violados. Eu não poderia escrever McMAFIA ou DarkMarket, a menos que houvesse uma forma de torná-los financeiramente viáveis. Mas existem sim aspectos preocupantes na tentativa por parte dos Estados de controlar e regular o que está acontecendo na internet”.

Acesse a entrevista completa da Revista Guernica

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